Época
santa, tudo é bonito e os pequenos detalhes são tão grandes e dignos de nota.
Nada passa despercebido aos olhinhos atentos e sedentos por mais e mais. É a
simplicidade que leva ao conceito de beleza; o encantamento é simplório e puro
de preceitos e isso é ser criança.
O
tempo vem, envelhece a criança, faz dela um adulto e, finalmente, deturpa sua
visão. Tudo complica, tudo degrada, tudo destrói. Há alguma criança que com sua
inocência tenha vencido a crueldade do tempo? Caso esse serzinho exista, ela é
invejável e maravilhosamente surpreendente. Pequeninos buscam pela verdade com
um fervor tão leviano, eles ainda não possuem a redoma da dúvida. Seria o
ceticismo o mal do século ou o remédio para todos os males? Remédios em altas
doses possuem péssimos efeitos colaterais. A dúvida em excesso impossibilita aceitar qualquer resposta. Tudo é encruzilhada.
Tudo é sufoco. Tudo é pesado, logo, o cansaço vem a reboque.
Best-sellers
fantasiosos vendem porque todos querem a supremacia do imaginário quando a lucidez
e o cientificismo saturam, quando os questionamentos ao invés de impulsionar,
estagna. Cessa o encantamento; o que um dia foi simples, hoje requer que se
pense duas vezes antes de qualquer atitude precipitada. Até que se precipite,
até que aquele que um dia foi pirralho se precipite na eternidade, na
efemeridade, na brevidade ou sei lá o que se esperar do "além-mar".
Ainda há dúvidas, mas "sobre todas as questões prematuras, há sempre
respostas contraditórias". O difícil é esperar a questão amadurecer, cair
do pé e enfim se deliciar com a resposta.
(Jéssica.)

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