sábado, 9 de junho de 2012

O que se foi, volta?



Disseram que para construir um bom texto bastava ser o suficientemente impactante na primeira oração. Prender o leitor pelas entranhas, fazer com que ele se identifique com o causo a ser narrado. Best-sellers surgem daí: nas entranhas de muita gente há muita fantasia. Analogamente, para se ter uma boa vida basta fazer da sua infância algo realmente muitíssimo interessante. Se a sua infância ocorrer em um cenário bastante bucólico é até melhor, dá um ar todo mimoso e meigo, mas vale salientar que os acontecimentos e peripécias desta época devem fugir do monótono.
Época santa, tudo é bonito e os pequenos detalhes são tão grandes e dignos de nota. Nada passa despercebido aos olhinhos atentos e sedentos por mais e mais. É a simplicidade que leva ao conceito de beleza; o encantamento é simplório e puro de preceitos e isso é ser criança.
O tempo vem, envelhece a criança, faz dela um adulto e, finalmente, deturpa sua visão. Tudo complica, tudo degrada, tudo destrói. Há alguma criança que com sua inocência tenha vencido a crueldade do tempo? Caso esse serzinho exista, ela é invejável e maravilhosamente surpreendente. Pequeninos buscam pela verdade com um fervor tão leviano, eles ainda não possuem a redoma da dúvida. Seria o ceticismo o mal do século ou o remédio para todos os males? Remédios em altas doses possuem péssimos efeitos colaterais. A dúvida em excesso impossibilita  aceitar qualquer resposta. Tudo é encruzilhada. Tudo é sufoco. Tudo é pesado, logo, o cansaço vem a reboque.
Best-sellers fantasiosos vendem porque todos querem a supremacia do imaginário quando a lucidez e o cientificismo saturam, quando os questionamentos ao invés de impulsionar, estagna. Cessa o encantamento; o que um dia foi simples, hoje requer que se pense duas vezes antes de qualquer atitude precipitada. Até que se precipite, até que aquele que um dia foi pirralho se precipite na eternidade, na efemeridade, na brevidade ou sei lá o que se esperar do "além-mar". Ainda há dúvidas, mas "sobre todas as questões prematuras, há sempre respostas contraditórias". O difícil é esperar a questão amadurecer, cair do pé e enfim se deliciar com a resposta.
(Jéssica.)

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