O traço não diz ao certo onde se deseja chegar. Nas curvas de cada letra a canção fluía sorrateiramente. O limite se torna tão sutil, um nada, um absoluto vazio transponível. Em cada oração composta: uma melodia. As notas musicais se transmutavam em aromas doces com um quê de cítrico, o cheiro vencia a distância. Sensações subjetivas, lembranças longínquas que fazem o rotineiro menos tedioso.
As vivências irão para o túmulo, aqueles instantes excêntricos que acrescentam conhecimento seja ele espiritual ou não. Instantes que provam que o amor existe e que está sujeito a erros. Somente a morte é capaz de levá-la embora, nem a Alzheimer é capaz de privar uma certa recordação. São sinapses eternas, ligações nervosas absolutamente irreversíveis. O tempo não cura, apenas muda.
Sabor de fruta doce e madura, o suco escorre já que as mãos apertam. Hidratante natural. Os vegans aprovam, mas a carne suplica: "coma-me", é a natureza. Um mamão tenro que sequer foi devidamente saboreado. Um desperdício.
A correlação entre as lembranças transforma-se em um ciclo vicioso. Uma coisa leva a outra, nada desconexo mas nem tudo está agregado como deveria. O que está livre é mais honesto e inspira confiança. É algo entre a dor e o pecado, excitante o suficiente para que o 'ai' não seja pronunciado; não pertence a uma categoria do saber, movimenta-se.
(Jéssica.)
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