segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Há calor na chuva.


Há calor na chuva? Somente umidade? Lágrimas dos santos solitários e prisioneiros do amor infinito de deus? Talvez seja apenas as leis do universo regidas em um cântico repleto de lamúrias, um conto erótico sem a menor poesia e descrição do ambiente, um tira e põe sem aquele tremor característico e as clássicas juras de eternidade. A supremacia do enfadonho e tedioso reinando sobre fetiches pecaminosos.
O sangue coagulado na garganta dá ânsia de vômito, a marca demonstrando uma vida sexual ativa. O anel no dedo indica uma exclusividade tão tosca. O individualismo sendo refletido na face de um outro ser aleatório escolhido no meio da multidão através de alguns quesitos básicos e já bem manjados. O estático ganha força.  Na multidão há sempre alguém melhor, por mais criteriosa que seja a seleção.
O efeito do MDMA é tentador, a sede é mera consequência, a chuva molha os alucinados e os fanáticos igualmente. Sem distinção; a chuva é subversiva e, certamente, como boa comunista, sabe que a religião é o ópio casto da humanidade. Em matéria de umidade ela se supera, mesmo sem calor. Mas há calor, pelo menos nos trópicos, um calor latente, sensível, uma capacidade calorífica que sensualiza ou vulgariza, a resultante é a mesma.
(Jéssica.)

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