quinta-feira, 25 de abril de 2013

Discurso para os supimposos químicos.


Boa noite, meus caros! Que alegria poder compartilhar este momento histórico com cada um de vocês. Agradeço a presença de todos nesta solenidade que representa o ponto-final de apenas um pequeno capítulo na história de cada um destes digníssimos formandos em Química - Bacharelado em Química Tecnológica. Formandos estes, que tenho a grandiosa função de representar.
Eis que me pergunto: em que momento surgiu em nossas mentes inquietas a sublime ideia de cursar Química? Fazer ciência em um mundo que não se interessa muito em como as coisas funcionam, desde que elas funcionem. Fazer um curso difícil, que requer uma dedicação imensa, que um discurso de colação de grau, jamais será capaz de sintetizar. Lembrando que fazer ciência no Brasil é criatividade e capacidade de se adaptar a ambientes muitas vezes hostis! Quantas vezes durante uma prática não descobrimos que faltava reagente, que a estrutura dos laboratórios implicava em insalubridade, que o equipamento não funcionava ou que, na melhor das hipóteses, tinha apenas um para a turma inteira. Acochambramos aqui, fizemos uma gambiarra acolá, ajustamos dalí. Todos os percalços que tivemos pelo caminho nos torna ainda mais merecedores desta vitória. São muitas as variáveis que estavam envolvidas no processo, só posso afirmar que a entropia do universo fatalmente aumentou e que tudo, absolutamente tudo, foi irreversível e inesquecível. Entramos na graduação de um jeito, e hoje, saímos dela diferentes, melhores.
Dentro de nossa profissão, de nossa trajetória, enfim, de nossas vidas, que sejamos capazes de decidir. Que saibamos ponderar os prós e contras de cada escolha que iremos fazer e, assim, realizar a ação certa no momento mais propício. Dúvidas habitam nossos pensamentos: estamos preparados? Diploma, meus amigos, não é certeza. Digamos que o diploma abre uma porta, mas cabe a nós a tarefa de atravessá-la. Além do mais, ter um curso superior não torna nosso futuro retilíneo e certeiro, podemos mudar. Podemos alçar voos distintos. Indústria, licenciatura, pós-graduação, carreira acadêmica, empreendedorismo, perícia, outro curso superior, filosofia de butequim...  Nada se perde nem se cria, mas é nossa função transformar. Visando sempre um produto melhor que o reagente! Lembrando que é bom-tom traçar um objetivo para nossas vidas, fica mais fácil propor um mecanismo e as condições para alcançá-lo.
Ainda temos muito o que conquistar, mas não teríamos ido tão longe sem nossa amada família. Não teríamos nos encantado e nos motivado sem a paixão de ensinar dos nossos bons professores. Não teria sido tão divertido sem as amizades épicas que surgiram e cresceram no decorrer desta graduação. Teve algumas picuinhas também, mas tudo dentro dos conformes! Havemos de convir que é graças a vocês, família, amigos e professores, que chegamos até aqui. O que seria do sistema sem a vizinhança? Ninguém conquista nada sozinho e nós somos uma equipe, nós somos Bacharéis em Química!
Fazemos parte de um todo e negligenciar este fato é negar ao mundo o que aprendemos; é se omitir quando podemos e devemos de alguma maneira ajudar. Que tenhamos sempre o ímpeto de fazer o melhor e de nos aperfeiçoar. Clama-se por homens e mulheres que saibam fundamentar uma boa ideia, que sejam empreendedores e coloquem esta ideia em prática, que busquem novos horizontes, que invistam no seu país. O Brasil investiu em nós, somos uma parcela privilegiada em um contexto onde uma boa formação é quase um luxo, mas isso torna ainda mais urgente nossa participação para tornar este país, que ainda engatinha em tantos quesitos básicos, menos discrepante, mais justo, menos corrupto, menos burocrático. Quiçá, um país mais educado.
E só para finalizar, antes que este blá-blá-blá se torne enfadonho, quero lembrar que os últimos quatro anos já fazem parte do passado, não há mais o que decidir sobre eles. Só que para nosso deleite, ainda temos muitos anos para decidir sobre nossa história. Por isso, peço a cada um de vocês, que decidam por ser felizes, que decidam lidar com os problemas e não fugir deles, que decidam não negar as dificuldades e lutar por melhoras. Não fazendo greve e tirando férias fora de época, mas vivenciando a luta, abraçando a causa. Está sob nossa jurisprudência, ilustres químicos, exercer esta profissão de forma digna e honrosa, visando sempre otimizar o processo!

Orgulhem-se! Eu, particularmente, estou imensamente orgulhosa de fazer parte desta turma!
Muito obrigada!

(Jéssica.)

P.S.: faltou no final um "votem em mim" e um "chupa sociedade".

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Ponto final.

Questões que formam e dissipam, quase sempre sem uma resposta satisfatória o suficiente. Hoje, mãos gélidas escrevem nesta folha de rascunho sem se importar muito com a caligrafia e enquanto estas se põem a escrever, uma nobre pessoa começa a pensar nas peripécias que pode descrever de modo a encantar quem por um acaso parar para ler tais orações que interligadas buscam traduzir uma ideia, um objeto, um fenômeno, uma cena, um eu, um outro.
A busca por um assunto é delimitante, mas escrever aleatoriamente torna o autor um tanto quanto vago. Mas depois de reler o tópico frasal desse possível texto, nota-se que este não terá um tema muito coerente ou coeso ou objetivo. É a arte pela arte, é a arte isenta de funcionalidade, é o poema sem rima, é a pintura sem contorno, é a reportagem sem o fato.
Extremidades geladas e o movimento de deslizar o lápis sobre o papel não é suficiente para agitar a corrente sanguínea e esquentar as pontas dos dedos. É mentira o chavão:  “mãos frias coração quente”. Um coração bem aquecido tem uma mão alheia para entrelaçar com as suas e assim compartilhar calor. Atritar. É o atrito que mantém um coração quente.
Uma nova interrogação se forma e não se sabe quanto tempo demorará para se dissolver no éter desse universo. Paredes brancas dão uma notável sensação de que o ambiente é maior do que de fato é, ilusões, somente ilusões, as dimensões são as mesmas. Como terminar essa obra de maneira triunfal? Tem mais questões surgindo e outras tantas simplesmente sumindo; uma música berrada tocando, gutural suavemente estrondoso, uma guitarra já manjada e uma bateria alucinada. Guerra de todos contra todos, sem muito mais o que dizer, não saber quem está certo é intrigante: eu ou você, manter a dúvida é crucial em certas circunstâncias, não saber se essa é a circunstância é desesperador. Mas perante a juventude há tempo.
Deixar esse escrito sem começo claro com um final obscuro é um tanto estranho, não é o pretendido. Como não houve no decorrer dessas linhas nada de muito conclusivo não cabe ao último parágrafo concluir nada. Portanto esse texto chega ao seu fim simplesmente por terminar e o ponto final, neste caso, vem sem muita pretensão.
(Jéssica.)


P.S.: texto antigo e esquecido, estava escondido, mas eu o trouxe à tona.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Vizinhança.

Não sei ao certo o que me rodeia, não tenho muita paciência com os vizinhos, conheço mulambamente meu bairro, fujo dos conhecidos e dos colegas. Acredito que esse comportamento seja apenas parte da minha personalidade, não associo isso a algum tipo de sociopatia. Não alimento desejos de ser protagonista de massacres terroristas, creio que nenhuma ideologia me prenderia a tal ponto, isso não faz parte dos meus planos. Só que, na minha solidão, ficaria alegrezinha com o massacre de quem massacra sob o véu da moralidade.
Ora acho que a hipocrisia é natural e espontânea e inevitável e salutar, ora quero um mundo tão honesto que beire a escrotidão gratuita. A educação no nosso tempo é tipo uma divindade, pessoas educadas são cultuadas. Sinto falta de pessoas que vomitem sinceridade.
A falácia da estabilidade me move, nos movimenta. Cogitar o fim iminente é decretar falência às instituições éticas e morais; sem esperar o amanhã com suas trágicas consequências, seríamos ainda mais imediatistas, loucos e insanos. A inexistência da culpa não faz sentido, somos culpados desde os primórdios. Viver uma "estabilidade" é ter o dom de fazer vista grossa. Por isso não conheço os meus arredores, teria que me fazer de cega mais do que acredito que posso. Logo eu que abomino ignorância. A burrice eu perdoo, ser leigo em algo não é opção, é apenas uma consequência do determinismo: raça, meio e momento ditando quem você é. Ignorância, na minha humilde concepção, é o ato de ignorar, fingir que não viu, não ouviu, não sentiu, não degustou. Ignorância judia do meu bom humor. É triste.
Só que nesta história, tudo fica desconexo. Se não conheço a vizinhança, nada posso dizer sobre o meu sistema, já que não estou isolada. Estou imersa em um monte de tranqueira. Por mais que não queira, mais cedo ou mais tarde, me mesclo a tudo e me torno uma hipócrita ignorante. Não sou tão distinta, embora a educação nos ensine a lidar e respeitar as diferenças, são as semelhanças que me assustam.
(Jéssica.)