domingo, 29 de janeiro de 2012

Caneta? Lápis? Lápis e/ou caneta.


Hoje acordei com vontade de dissertar. Pensei nos meios de satisfazer minha vontade. Pensei numa folha de papel, lápis ou caneta. Lápis, suas marcas no papel eu posso apagar. Caneta, ainda bem que inventaram o corretivo, mas fica bem mulambento...
Bom, pensei em todas as variáveis que envolvia tal escolha. Caneta ou lápis? Caneta não permite erros. Se eu esquecer de alguma regra gramatical? Ou então, se alguma dessas regras que eu nunca consegui assimilar, como o uso da mesóclise, resolver me atormentar. Posso me perder, falar demais, ir além, misturar o imiscível e sem querer deixar meu texto sem nexo. Seria heresia em demasia da minha parte, uma boa dissertação tem que ser compreendida em sua plenitude; creio que a ficção e as minhas fantasias devem ficar em alguma narrativa descompromissada com a verdade, qual verdade não vem ao caso.
No meu ver, um texto deve ser bem escrito, aliás, pessoas que possuem um certo poder sobre as palavras me instigam, elas costumam se fazer ouvir ou ler. Eu, pelo menos hoje, não almejo nada muito abrangente, apenas acordei com vontade de escrever.
Sempre que pego uma folha de papel e lápis ou caneta me surgem assuntos sobre a minha pessoa. Isso já é o bastante para me irritar. Já imponho uma condição ao texto: não será em primeira pessoa.
E eis que algo ocorre: a vontade insuportável de generalizar. Buscar um assunto e nele encontrar um padrão e finalmente criar uma teoria que generalize tudo de um modo excepcional.
Mas será que eu terei que criar um modelo ideal e, no decorrer do texto, ir moldando-o de modo a me aproximar do real? Não tenho a mínima ideia de como começar o modelo ideal. Aliás, antes que comece a dissertar, modelo de que pretendo criar? Nesse modelo poderia inserir inúmeras condições para chegar a uma teoria satisfatória sobre o que bem quisesse. Poderia usar um pouco do ricor analítico. Ler filófosos analíticos, Russell seria um bom começo. Ou então algo mais apropriado para o meu atual contexto: Química Analítica Qualitativa e Quantitativa - Vogel. Mas voltando a dúvida inicial que ainda não respondi: caneta ou lápis?
Deixe-me curtir o fervor da dúvida! Eu, até hoje, não corri dela.
(Jéssica.)

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Sinapses.

O traço não diz ao certo onde se deseja chegar. Nas curvas de cada letra a canção fluía sorrateiramente. O limite se torna tão sutil, um nada, um absoluto vazio transponível. Em cada oração composta: uma melodia. As notas musicais se transmutavam em aromas doces com um quê de cítrico, o cheiro vencia a distância. Sensações subjetivas, lembranças longínquas que fazem o rotineiro menos tedioso.
As vivências irão para o túmulo, aqueles instantes excêntricos que acrescentam conhecimento seja ele espiritual ou não. Instantes que provam que o amor existe e que está sujeito a erros. Somente a morte é capaz de levá-la embora, nem a Alzheimer é capaz de privar uma certa recordação. São sinapses eternas, ligações nervosas absolutamente irreversíveis. O tempo não cura, apenas muda.
Sabor de fruta doce e madura, o suco escorre já que as mãos apertam. Hidratante natural. Os vegans aprovam, mas a carne suplica: "coma-me", é a natureza. Um mamão tenro que sequer foi devidamente saboreado. Um desperdício.
A correlação entre as lembranças transforma-se em um ciclo vicioso. Uma coisa leva a outra, nada desconexo mas nem tudo está agregado como deveria. O que está livre é mais honesto e inspira confiança. É algo entre a dor e o pecado, excitante o suficiente para que o 'ai' não seja pronunciado; não pertence a uma categoria do saber, movimenta-se.
(Jéssica.)