Bom, pensei em todas as variáveis que envolvia tal escolha. Caneta ou lápis? Caneta não permite erros. Se eu esquecer de alguma regra gramatical? Ou então, se alguma dessas regras que eu nunca consegui assimilar, como o uso da mesóclise, resolver me atormentar. Posso me perder, falar demais, ir além, misturar o imiscível e sem querer deixar meu texto sem nexo. Seria heresia em demasia da minha parte, uma boa dissertação tem que ser compreendida em sua plenitude; creio que a ficção e as minhas fantasias devem ficar em alguma narrativa descompromissada com a verdade, qual verdade não vem ao caso.
No meu ver, um texto deve ser bem escrito, aliás, pessoas que possuem um certo poder sobre as palavras me instigam, elas costumam se fazer ouvir ou ler. Eu, pelo menos hoje, não almejo nada muito abrangente, apenas acordei com vontade de escrever.
No meu ver, um texto deve ser bem escrito, aliás, pessoas que possuem um certo poder sobre as palavras me instigam, elas costumam se fazer ouvir ou ler. Eu, pelo menos hoje, não almejo nada muito abrangente, apenas acordei com vontade de escrever.
Sempre que pego uma folha de papel e lápis ou caneta me surgem assuntos sobre a minha pessoa. Isso já é o bastante para me irritar. Já imponho uma condição ao texto: não será em primeira pessoa.
E eis que algo ocorre: a vontade insuportável de generalizar. Buscar um assunto e nele encontrar um padrão e finalmente criar uma teoria que generalize tudo de um modo excepcional.
Mas será que eu terei que criar um modelo ideal e, no decorrer do texto, ir moldando-o de modo a me aproximar do real? Não tenho a mínima ideia de como começar o modelo ideal. Aliás, antes que comece a dissertar, modelo de que pretendo criar? Nesse modelo poderia inserir inúmeras condições para chegar a uma teoria satisfatória sobre o que bem quisesse. Poderia usar um pouco do ricor analítico. Ler filófosos analíticos, Russell seria um bom começo. Ou então algo mais apropriado para o meu atual contexto: Química Analítica Qualitativa e Quantitativa - Vogel. Mas voltando a dúvida inicial que ainda não respondi: caneta ou lápis?
Deixe-me curtir o fervor da dúvida! Eu, até hoje, não corri dela.
(Jéssica.)
