sábado, 16 de julho de 2011

Segredo.


Contarei ao mundo um segredo a muito escondido. É o segredo que poderá unificar a ciência. A fórmula una que responderá matematicamente os fenômenos que regem o cotidiano e o obsoleto, tudo como pede o rigor analítico. Um segredo que poderá mudar os rumos do que hoje se tem como ciência.
Não, não. Fazer isso implica em desestabilização, esmigalhar nossa sólida e impermeável fundamentação teórica, nossos contornos idealistas. Não farei isso com uma humanidade que tanto roga pelo que é estável e cômodo e entediante e certeiro. Se eu cheguei a desvendar esse segredo, outro também poderia ter desvendado. Improvável. Nosso gênios são funcionários públicos. Vivem da burocracia e para a burocracia.
Uma pena que seja assim tão óbvio, mas a maior tristeza se encontra no fato de termos perdido o tesão com o que é inerentemente trivial. "O de sempre" já não tem aquele gosto de realização pessoal; o clássico, a divisão de classes, o despropósito da igualdade. Penso cá com meus botões como seria adentrar o núcleo da descoberta total, a plenitude de se chegar aquilo que simplesmente responde. Aí se encontra o suprasumo da problemática, o segredo só responde. Não soluciona, não permite que a paz reine. Devemos concordar que o medo nos instiga, em um mundo sem guerra morreríamos de tédio. Seria como entrar em colapso. Um fato sem tragédia não é manchete.
Meu segredo não se relaciona com "o poder interior". Não é mítico. É a visão plena de nossa lógica e ciência e filosofia descrita com toda e mais bela matemática. Matrizes, integrais, séries, derivadas. A dedução no seu mais perfeito "como quis demonstrar". A sua interpretação é simples, mas isenta de ambiguidades. Revelarei para quem? Quem ouviria, há quem ouça? Peço a atenção de todos os aqui presentes. Quando eu desvendei tal segredo, fui pega de surpresa, em minha audácia pensei que seria fria o suficiente. Eu chorei. Lágrimas quentinhas rolaram e pingaram no chão. Não quero que vocês chorem. Por isso não vou contar.
(Jéssica.)

Nenhum comentário: