quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O mesmo e o não-mesmo.

A mesmice deve ser a causa-primeira da existência do tédio. O complexo nessa sutil constatação é que, reza a lenda, a vida é rara. Já dizia Lenine. Mas há mais detalhes nessa miríade de repetições, por exemplo, como identificar o isolado sem o confundir com o padrão? E como o padrão foge da uniformalidade? É deus jogando dados e rindo da cara de estupefatos da sua digníssima criação. Sem blasfêmia gratuita, isso já caiu na mesmice já faz um bom tempo, mas ainda há ateu educado em colégio Salesiano repleto de princípios cristão gritando atrocidades para evangélicos fanáticos.
Digamos que o anticristo saturou um pouco, vendeu seu peixe, arregalou os olhos de uma boa parcelinha da população, só que alguns desses santificados militantes foram cegados. É pecado julgar-se mais sábio que um evangélico homofóbico. Aliás, citar homofobia é cair na mesmice, mas sem mesmice não dá para atingir a massa. Quem não deseja tocar de alguma forma a maioria? Ser pop pode ser alucinante, pode não somente abrir portas como também pode arreganhá-las!
Foi citado duas vezes a palavra evangélico, o que pode ser perigoso aos olhos de muita gente, mas não é generalização. É apenas uma citação sem maiores polêmicas. Não há pretensão alguma de ofensa aqui. E mais uma dúvida perene e latente acabou de se formar e pedir para ser jogada aos sete ventos, uma dúvida que quase chega ao âmago da mesmice: onde está a linha tênue que separa a liberdade de expressão da ofensa? Onde está? Metafísico demais falar em linha tênue de separação, mas não há nada de mais impactante para o momento. É a mesmice que brota e flui em todos os fluidos possíveis. Todos os fluidos, sério.
A vida não é rara, a vida é uma praga.
(Jéssica.)

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