Nos grandes porquês a vida encontra finalidade e buscando porquês esta se torna um tanto quanto confusa. Não há nada de muito estupendo nisso tudo, convencionou-se portanto, que quando há um padrão nos acontecimentos há um porquê absolutamente intrínseco a ele e cabe a curiosidade humana decifrá-lo.
Há entretanto uma dificuldade neste quesito. De que modo elaborar um porquê satisfatório? Por que elaborá-lo? A análise não muito profunda dos porquês tipicamente humanos leva a uma conclusão breve, supérflua e sucinta: aquilo que de alguma forma é importante, desperta a curiosidade ou chama a atenção desencadeia a busca frenética, alucinante, emocionante, desesperante por um porquê.
Quantas áreas de conhecimento cada porquê distinto criou, inúmeras. Inúmeros especialistas em um único porquê. Há muita dificuldade no caminho daquele que trabalha em busca de um porquê, e não importa quem seja, psicólogo, filósofo, ou quem sabe um cientista, ou fatalmente aquele tio que assiste aos domingos o Gugu e chora com as histórias de uma família pobre ajudada pelo programa, pode ser também um adolescente fanático pelo Flamengo, ou então a modelo loira e bonita, ou num momento de revolta o cabeludo que só usa camisa de banda. Os porquês sempre surgem, seja pela busca de um sentido ou pelo simples prazer de reformular uma teoria ou tradição ou tabu.
Porquês são especialmente excitantes quando de alguma forma saciam, dão plenitude. E o mais incrível é a maleabilidade dos porquês, são adaptáveis, sujeitos a interpretações aleatórias, não oferecem resistência a quem se permite usá-los, moldá-los ao seu bel-prazer.
Mas há um caráter dualístico: porquês podem se transformar em extremos na mente daquele que o aceita como verdade, e assim, ao invés de serem excitantes podem limitar e restringir, castrar. Além de que porquês nem sempre trazem consigo uma explicação feliz, explicar o que é categoricamente humano requer que eles sejam ora míticos, ora lógicos, ora baseados no método científico, ora tristes, ora especialmente desastrosos.
Os porquês são de suma importância, isso raramente há quem negue, mas é complexo quando se tem confiança na veracidade de um porquê e se percebe que ele simplesmente não condiz. Entra-se num colapso desencadeado por um simples paradoxo que pode levar por sua vez a uma desconfiança medonha naquilo explicado pelo conhecimento desses seres racionais.
(Jéssica.)
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