sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Céu.


Desperto medo com trovões e divindades habitanto meu espaço infinito. Sim, divindades. Não pensem que são misericordiosos. Como se enganam, pobres criaturas. Gotas de água despencando de mim, nem sempre suavemente, a força está em mim. Eu sou a energia vital.
A sabedoria não está nos olhos daqueles que me admiram, nem em mim ela se encontra. O saber dança uma dança ilusória que só ilude a maioria. A maioria não me encanta com suas deduções, seu falso conhecimento. Eu sou o céu.
A dor me é desconhecida. Mas me atrai. Não tenho músculos para que a contração tome conta deles no desespero. Sou frio em minha essência, o sol que aquece a vocês não é capaz de me acalentar. Sol, tão finito em sua mísera existência que me provoca espasmos de desprezo.
A felicidade, algo tão efêmero e há quem pense ser eterna. Patético. Pode parecer que sou arrogante. Não se enganem. Por favor. Sou mesmo. Estou tão além da especulação, dos mitos, dos medos, das lendas, das músicas, das palavras. As criaturas como vocês eram melhores na pré-história, conseguem imaginar o porquê. Simples, não havia escrita. Com a escrita surgiram suas mazelas. Suas religiões. Seus dogmas. Suas verdades que em nada me atingem. Nada.
A vontade, isso em vocês me parece, digamos que, um pouco interessante. Estou cometendo um grande exagero aqui. Mas eu posso, sou inalcançável. Querem coisinhas tão pequeninas e mesmo assim as enfeitam com lantejoulas e bijuterias para se sentirem estrelas. Pobres estrelas que me habitam, se tivessem noção do que a palavra permitiu a esses seres, usar o nome que a designa para suas futilidades mundanas. Sinto dizer, aliás, não sinto, mas vocês são ridículos.
O amor, interessante o modo como os seres que estão embaixo do meu supremo manto se aconchegam entre si, quando se permitem aconchegar. Pois não há seres mais repletos de miseráveis paradoxos que essas criaturas que inventaram o amor. Querem um amor, mas o repelem com suas deturpações do que é real. Possuem visão, mas preferem ficar me olhando, buscando metáforas que me ofendem. Ofendem em demasia. Não sabem me olhar, não têm sensibilidade para entender meu âmago. Criaturas desprezíveis que querem amar. 
E eu, aqui, alheio a tudo que fazem, pensam, almejam, mas tudo sei. Sou mais que vocês. Sou grande demais para seus retratos da natureza em que vivem. Sou grande demais para os poetas e suas figuras de linguagem, seus versos. Sou grande demais para a ciência que vocês desenvolvem. Sou grande demais para seus sonhos.
(Jéssica.)

2 comentários:

O Maldito Escritor disse...

Legal garota.

Mariana Pezarini disse...

Gê, vc é violenta.
Todos os sentido (ponto)