sexta-feira, 17 de abril de 2009

Loucura.

Há vontades e desejos, há dores e sofrimento, mas dentro de tudo o que há, o que deve ser admirado é aquele que conquistou a orgástica sensação da loucura. Aquele que manteve-se bêbado quando lhe reprimiram; aquele que não quis pagar para ver, viu sem pagar mesmo; aquele que não se contentou com apenas essa dimensão, quis descobrir outras.
Havia em algum local escrito a seguinte frase, de algum filósofo gente boa: "É preciso viver, não apenas existir." Viver? Existir? Viver é o ato de respirar, comer, reproduzir (tem gente que acha melhor assistir novela) e um dia morrer. Existir é simplesmente estar ali. Olha como as definições são intrigantes, elas não saciam. Uma pedra existi, mas não vive, ela existirá por muito tempo, tempo esse que vai moldá-la. O Fulano da Silva Sauro vive. Ou apenas existi? Viverá por um tempinho relativamente relativo e incerto, o tempo esse que não se responsabiliza por moldá-lo, mas apenas por destrui-lo. Destruir? "Como assim, o tempo dá condições para descobrir mais coisas, admirar mais coisas..". Só que ele é ilusório. Não se perde tempo, se perde vida. Mas o que de fato diferencia viver de existir?
A loucura é muito mais interessante, pessoas se preocupam com o formal, a loucura apenas em ser escrotamente insana. Alguns querem saber a diferença de viver e existir, outros querem saber o que leva uma mãe a matar um filho, ou então saber por que a crise atingiu a China. Alguns permanecem loucos. Perfeito, simples, indolor.
Existir é estar aqui. Viver é ter tempo. Por que complicar? Tentar buscar motivos para enfeitar algo que é belo sem frescura. Ser louco é apenas aceitar-se, com todas suas feiuras, pecados, fúria. Não aceitam a ideia que mesmo sendo lúcidos e sensatos, morreram como um louco psicopata. Não aceitam que mesmo rezando toda manhã e noite, morreram como um assassino satanista. Não aceitam que o bom, no final, termina como o mal. Terminam. Acabam. Termiraram igualitariamente. O fim é socialista. O podre e o rico vão feder.
Ser louco, saber que o amanhã não pertence a Deus, entretanto é de fato incerto, mas saber que se tem o poder de tecê-lo da maneira que quiser. Sim. Como desejar. Loucura não tem regras. Utopia? Sonho? Não, é ser apenas louco. É ter sua liberdade delimitada por apenas uma coisa, o fim do existir pelo término do viver.
(Jéssica.)

Nenhum comentário: