quarta-feira, 21 de julho de 2010

Uma e meia da madrugada.

Sobre todas as coisas do mundo tenho uma coisa para dizer, para todos os amores que obtive tenho um beijo, para as discórdias que causei tenho ombros, para as lágrimas que escorreram em meu rosto tenho motivos, para meus sonhos tenho o sono, para meus objetivos tenho vontade, para minha ira tenho silêncio. Não que o mundo gire ao meu redor ou coisa do gênero, mas apenas acho que há uma maneira de ver tudo isso que me parece muito coerente e por um acaso do destino é a minha maneira de ver, tocar, acariciar, socar.
Não é uma simples noção, mas é um conjunto imensurável de palavras que designam um monte de coisas que me fazem crer que há definições o suficiente e que estas saturam esse nosso meio. Hiperbóles são usadas em demasia e não faz o menor sentido uma fedelha escrever essas atrocidades que passam em sua mente querendo dessa forma compartilhar tais absurdos com pessoas que não merecem ler tais escritos, pois isso pode de alguma forma ter consequências trágicas e pouco saudáveis, não recomendo, é sério. 
Se eu tivesse algo para recomendar aos senhores recomendaria, mas sou tão lastimavelmente bobinha que não tenho. Já que está aqui, grite bem alto, coce sua virilha, sei lá. O que eu posso indicar para esses seres perdidos numa noite pacata? Talvez música, música esquenta, música esfria, música provoca até ereções, música dá sono, música abre o apetite, música remete lembranças, música pode fazer papel de drogas. Posso recomendar também uma cama, um quarto, peço que coloque uma roupa bem levinha, se quiser dormi nu é até melhor, feche seus olhos e veja como é incrível, não fica completamente escuro. O lance é quente. Muito quente. Quente mesmo. Quentíssimo.
Está quente aqui onde estou. Se você pudesse tocar minhas mãos saberia. Há uma gotinha de suor escorrendo debaixo dos caracóis de meus cabelos, rente a minha orelha esquerda também  há uma  gota. Estava a lembrar de algumas histórias enquanto escrevo essas frases. Estava a pensar no momento que decidi transpor alguns pensamentos nessa página da internet. Sempre que escrevo prefiro primeiramente fazer um rascunho: papel, lápis ou caneta. Me soa mais romântico, arcaico, sincero. É como se houvesse mais fluidez nas orações que se formam em minha mente. Aqui, olhando para a tela do computador, sinto-me cansada. Minhas pálpebras começam a ficar mais pesadas, sinto que mereço uma cama e é para lá que vou, debaixo de minhas cobertas, onde meu mundo se concretiza, onde no escuro e sob o embalo do sono melodias se formam, pesadelos me fazem rir e ilusões se tornam tão reais que me fazem acreditar que são de fato reais e são reais. São reais. São lindas. São doces, macias, sensuais. São fofas.
(Jéssica.) 

terça-feira, 13 de julho de 2010

Pena.

Assopre uma pena e veja até onde ela irá. Depois pense na rachada de ar que saiu de seus pulmões para que a pena levantasse voo. Até onde esse ar que estava dentro de você vai? Talvez toque a face de seu futuro amor, aquele cuja pele te fará tremer, cuja conversa não te enjoará, aquele que não terá pena de você. Sentir pena de alguém é algo deverasmente sem lógica alguma. Apenas, caso seja possível, estenda a mão. Se não puder, vire seu rosto e siga seu caminho. Não é dica de auto-ajuda, nem verborragia desnecessária, nem bobeiras transformadas em palavras. Não é nada, nem tampouco é tudo. Depende absolutamente do sentido ou da forma como essas ideias soltas e sem contexto te atingem, se é que atingem. Assopre. Respire. Você respira todo dia e não se cansa e não enjoa e nem percebe que está respirando. O que é constante passa desapercebido. Uma pena. Uma pena, mesmo.
(Jéssica.)