terça-feira, 30 de março de 2010

Porque tudo esbarra nisso.

Buscar a verdade, defender uma ideia, acreditar. Dias vem, dias vão, tantas descobertas surgem e outras milhares de dúvidas. "Estamos vivos, sem motivos. Que motivos temos pra estar?", assim diz uma canção de Humberto Gessinger. Questões que milhares de exemplares da espécie humana fazem, alguns respondem, outros não, mas a questão impera soberana.
Noites e mais noites repletas de viagens pelas afirmações humanas. Hoje está na moda afirmar a inexistência. De quê? Tudo. Amor, conceito humano que na realidade nem existe. Deus, conceito humano que na realidade nem existe. Família, conceito humano que na realidade nem existe. Resumindo, tudo que é inerente a preceitos sociais. Tudo que foge da dita inválivel lógica científica. Enquanto isso a soberba ciência se baseia em teorias, teorias, teorias. Mas ela só é soberba, pois tais teorias respondem com ótima eficiência muitas perguntas, e tais respostas são falseadas infinitamente. Ela é soberba mas se permite a provas.
E os conceitos humanos? Giram em volta de dois pilares: amor e inveja. O resto é tudo consequência desses dois. O ódio surge da inveja ou então do amor incorrespondido. A guerra surge da inveja ou então do amor, dizem que grandes guerras foram desencadeadas por mulheres, nomes como o de Helena de Tróia surge (visão romântica da história? Pode até ser, mas essa visão existe). O medo surge do amor exacerbado, o medo da perda, o medo da morte. A religião surge do amor, o amor em algo que aconchega, dá razão de ser a tudo, que dá esperança.
"Que motivos temos para estar?", talvez nenhum, talvez inúmeros, talvez não há a necessidade de se ter um motivo. A vida pode ser agradável sem se ter um motivo além desse que os sentidos humanos captam, pode ser incrível sem uma razão além da compreensão humana. Mas faltaria algo. Faltaria uns dos pilares dos conceitos humanos: o amor. Pois este não é explicado pelos sentidos, alias nem explicado é, fala-se muito, conceitua-se em demasia algo que não aparenta ter conceito fixo e universal.
Do livro sagrado do cristianismo tira-se um possível conceito de amor:
"Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse Amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse Amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tivesse Amor, nada disso me aproveitaria. O Amor é paciente, é benigno; o Amor não é invejoso, não trata com leviandade, não se ensoberbece, não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal, não folga com a injustiça, mas folga com a verdade. Tudo tolera, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O Amor nunca falha. Havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; porque, em parte conhecemos, e em parte profetizamos; mas quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado. Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; mas o maior destes é o Amor."
Trecho de um livro dito contraditório, mas que determinou e determina o atual contexto da atualidade. Que definiu e ainda define inúmeros conceitos humanos, mas que se baseia em algo ou alguém além do que pode ser conhecido do ser humano. Exatamente, do que pode ser conhecido. Tal livro é contraditório? Pode ser, mas é compreensível porque o é. São experiências do que é o amor para pessoas, é como se manisfesta esse "bem maior" para pessoas, e pessoas sentem o amor de maneiras distintas. Conceitos humanos são passíveis de inúmeras variáveis, de inúmeras consequências, podem levar a uma encruzilhada ou a resposta de muitas questões, pode trazem satisfação ou a ausência dela.
Neste fato encontra-se a mágica da racionalidade, o incrível da imaginação, talvez a realidade da ilusão. Amar algo além de tudo, temê-lo além tudo, ter fé em sua bondade e sapiência infinita. Isso existe. Isso é real, isso muda o contexto, a vida, os devaneios de muita gente. Isso muda a concepção de uma nação, muda os contornos da ética, define uma moral; pode não ser absoluta, pode não ser a única, pode nem ser a correta, talvez nem a mais indicada, mas é o que há disponível no mercado das noções tipicamentes humanas.
(Jéssica.)