Como eu detesto escrever em primeira pessoa. Parece tão egocêntrico, parece tão limitado, tão restrito a mim mesma. Logo eu, que se pudesse abraçaria o mundo inteiro, gosto da totalidade, por mim juntaria o belo com o feio, o divino com o obsceno, o pecador com a virgem, o cruel com o bondoso. Eu gosto dos imiscíveis juntos. Fases distintas, não se mesclam por completo, mas se tocam e até se veem obrigadas a interagir.
E daí surge um ser e grita:
- Imagina-se perante a um ser cruel sendo obrigada a estar perto dele?
E eu com toda a delicadeza intrínseca a meu ser respondo:
- O que o torna cruel? O que leva uma pessoa forçar outra a algo que ela não quer? Quem faz os cruéis? Aliás, ele ou ela não se criou sozinho.
Como estou escrevendo em primeira pessoa não vou dissertar sobre esse assunto nesse momento. Eu estou num momento "eu-lírico", quero total liberdade poética, quero agora através das palavras tirar até minhas roupas, estou num momento niilista de ser e que todos os preceitos sociais se explodam.
Vamos combinar que não há nada mais ridículo e clichê do que ser revoltadinha e pacata ao 18 anos. Paradoxo? Como minha cabeça é confusa, se bem que, minha cabeça nem é tão confusa assim, ela apenas muda de ideia com uma facilidade imensa. Para que reprimi-la? O paradoxo existe, mas é que todo momento juvenil contra a sociedade se depara com a preguiça e o medo e o conformismo e os pais e a própria sociedade.
Eu queria gritar tanta coisa e grito muita coisa. Não sou um ser muito educado. Educação em excesso me irrita profundamente, educação hoje mais parece um molde daquilo que é aceitável e daquilo que não o é. Grito, entretanto faço pouco. Doce hipocrisia juvenil, idiota sensação de incapacidade, amargura pelo choro reprimido e a vida imposta sem que a doce hipocrisia juvenil fosse saboreada.
Eu, eu, eu! Observo agora meu lindo umbigo e vejo o quão depressa as coisas se vão, o quão rápido nós jovens nos desapegamos a elas. E que bom que nós desapegamos! Não queria estar pressa a uma única coisa sendo que há outras trocentas para admirar. Sou tão egoísta. Há quem diga que sou fria, sarcástica, metida, sem noção, calculista. Pode ser, quem sabe amanhã eu não amanheça amável, carinhosa, cristã e doce? É. Entretanto eu não acredito em milagres, mas acho que tem muita gente equivocada por aí.
Muita gente! Inúmeras! E eu aqui.
Eu aqui escrevendo em primeira pessoa, dando enfâse ao meu umbigo, a minha sede, a minha revoltazinha particular.
Eu com meu "eu-lírico" que grita por mais, entretanto não tem a mínima noção de como expor si mesmo, que teme a si mesmo, que se torna tímido quando lhe pedem para falar de si mesmo, que se esconde para chorar sozinho aquilo que não é dividido muito menos entendido. Definitivamente meu "eu-lírico" adora ouvir. Alguém por aí não quer me contar alguma infâmia? Prometo estimulá-lo.
Eu odeio escrever em primeira pessoa.
(Jéssica.)
E daí surge um ser e grita:
- Imagina-se perante a um ser cruel sendo obrigada a estar perto dele?
E eu com toda a delicadeza intrínseca a meu ser respondo:
- O que o torna cruel? O que leva uma pessoa forçar outra a algo que ela não quer? Quem faz os cruéis? Aliás, ele ou ela não se criou sozinho.
Como estou escrevendo em primeira pessoa não vou dissertar sobre esse assunto nesse momento. Eu estou num momento "eu-lírico", quero total liberdade poética, quero agora através das palavras tirar até minhas roupas, estou num momento niilista de ser e que todos os preceitos sociais se explodam.
Vamos combinar que não há nada mais ridículo e clichê do que ser revoltadinha e pacata ao 18 anos. Paradoxo? Como minha cabeça é confusa, se bem que, minha cabeça nem é tão confusa assim, ela apenas muda de ideia com uma facilidade imensa. Para que reprimi-la? O paradoxo existe, mas é que todo momento juvenil contra a sociedade se depara com a preguiça e o medo e o conformismo e os pais e a própria sociedade.
Eu queria gritar tanta coisa e grito muita coisa. Não sou um ser muito educado. Educação em excesso me irrita profundamente, educação hoje mais parece um molde daquilo que é aceitável e daquilo que não o é. Grito, entretanto faço pouco. Doce hipocrisia juvenil, idiota sensação de incapacidade, amargura pelo choro reprimido e a vida imposta sem que a doce hipocrisia juvenil fosse saboreada.
Eu, eu, eu! Observo agora meu lindo umbigo e vejo o quão depressa as coisas se vão, o quão rápido nós jovens nos desapegamos a elas. E que bom que nós desapegamos! Não queria estar pressa a uma única coisa sendo que há outras trocentas para admirar. Sou tão egoísta. Há quem diga que sou fria, sarcástica, metida, sem noção, calculista. Pode ser, quem sabe amanhã eu não amanheça amável, carinhosa, cristã e doce? É. Entretanto eu não acredito em milagres, mas acho que tem muita gente equivocada por aí.
Muita gente! Inúmeras! E eu aqui.
Eu aqui escrevendo em primeira pessoa, dando enfâse ao meu umbigo, a minha sede, a minha revoltazinha particular.
Eu com meu "eu-lírico" que grita por mais, entretanto não tem a mínima noção de como expor si mesmo, que teme a si mesmo, que se torna tímido quando lhe pedem para falar de si mesmo, que se esconde para chorar sozinho aquilo que não é dividido muito menos entendido. Definitivamente meu "eu-lírico" adora ouvir. Alguém por aí não quer me contar alguma infâmia? Prometo estimulá-lo.
Eu odeio escrever em primeira pessoa.
(Jéssica.)