sábado, 18 de julho de 2009

Possível, porém negado.


Enquanto o tempo se esvai a morte se aconchega e com ela a tristeza de saber que simplesmente não deu tempo. Nascimento, renovação, continuidade, apenas o começo da morte. Pessoas lutam com todo seu conhecimento para driblá-la, mas não há registros de alguém que tenha conseguido tal proeza. E durante um suspiro tudo que não se pode fazer se torna uma grande decepção.
Lágrimas escorrem no rosto daquele que teve seu pedido negado, daquele que perdeu, daquele que adoeceu. Uma vida curta e repleta de sonhos possíveis se mostra incompleta para aquele que simplesmente não pode ou não o deixaram. Do que vale saber que é possível se há alguém ou algo o impedindo? Onde será que esconderam a dose de revolta?
Poder viajar o mundo, mas ser impedido pelo seu trabalho, pelo seus filhos, pela sua esposa, pela sua religião.
Poder sair, mas ser impedido pela violência.
Poder beber, mas ficar sóbrio por achar que assim se vive mais ou pelo simples fato da sua igreja condenar tal ato.
Há tantas coisas na mente humana a ser descoberta, formam-se psicólogos aos montes e as perguntas continuam, perguntas que nutrem esse desejo de querer viver mais, para ter a oportunidade de saber se há alguma verdade coerente. Nascem hoje e começam a morrer hoje mesmo e com isso as perguntas se tornam um emaranhado de situações que lhe mostram algumas teorias e outras inúmeras perguntas. Não são mais o que eram a dois minutos, a cada segundo que passa a morte se aproxima. Células morrendo, algumas nascendo até o crucial instante em que se chega ao término.
No fim não importa se ainda é belo, se tem a carne firme, os olhos perfeitos, a boca bem desenhada, se beijou, se a velhice lhe trouxe mais conhecimento ou o esquecimento, se pulou de um penhasco, se deitou-se com alguém que lhe despertou desejos, se é frustrado ou pleno. Não importa se alcançou o que desejava, não importa se teve ou não tempo suficiente, não importa se aproveitou ou não as oportunidades, não importa se o serviço foi bem feito ou não, não importa se alimentava-se, não importa quem é. Simplesmente finda.
Onde esconderam a dose de revolta? Onde? Pois a morte se aproxima, a juventude se despede, a saúde se debilita e as possibilidades são negadas.
(Jéssica.)

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Filosofia da pipoca.


Milho, grãos dispostos em uma espiga. Fruto que dará origem a outro ou não.
Pode ser destinado a alimentação, que fim estéril. Mas é uma possibilidade.
Virar ração ou ser destinado para a linda e estupenda espécie pensante?
Festa junina! Receitas abundantes desse grão, na sua maioria ainda verde!
Infância, tem gosto de casa de vó! Se é que casa de vó tem gosto, mas paciência, ter licença poética está na moda. Broa de milho! Bolo de milho! Pamonha! Curral! Milho-verde cozido com manteiga! Pipoca! Pipoca! Pipoca!
Pipoca, como é intrigante. Dá para filosofar a seu respeito. Acredita? Pois é a mais pura verdade.
Um grão seco, já sem vida, inicialmente sem fim algum, mas basta apenas um simplório gesto. Aquecê-lo. Doar um pouco de calor. Nada mais que isso. Tão simples e tão satisfatório. Aquele grãozinho ao ser aquecido se rebela para o mundo. Estoura sua cápsula e doa o que tem de mais gostoso e macio. Agrada o paladar. Doce ou salgado? Vamos escolha! Você tem esse livre arbítrio.
Filosofia nisso? Claro. Óbvio.
Secos pelo tempo, tempo arrogante e metido, soberano. Que a quântica trate de controlá-lo logo. Aos poucos a maciez se esvai e só sobra um ser distante, preso num mundo severo e apertado, sufocador.
Só que é tão simples, tão infantil mostrar-lhe algo singelo, doe carinho e respeito, estimule, desperte desejos. Após atos como este algo diferente irá se mostrar ao mundo, certamente muito mais apetitoso e comestível. Comestível sim! Uma deliciosa maciez e suavidade, por mais que algumas lasquinhas da casca fique no dente, é sublime. Muito bom!
Uma metáfora um tanto quanto boba? Talvez.
Mas é simples assim.
(Jéssica.)