sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Ardência.



Pimenta nos olhos dos outros é refresco, por quê?

Fatal.

Ontem, antes de qualquer ato explícito de coragem, o menino parou e pediu o seguinte:
- Papai do céu, me ajuda na prova que vou ter hoje, a professora é gostosa, mas é um saco as provas que ela elabora. Amém.
A pequena criatura saiu para encarar com dedicação mais um dia de aula, mas um dia de sua vida. Vida esta que é uma dádiva divina.
Tinha passado a semana inteira estudando para o teste, precisava de nota e não desejava de forma alguma decepcionar sua mãe. Ela se esforça tanto para mantê-lo numa boa escola.
O momento crucial chegou! A professora com todo seu gingado e charme entrega a prova. O menino já estava abalado psicologicamente com o decote da infeliz, mas se concentrou na imensa prova de História. Tinha estudado bastante, havia lido bastante sobre o assunto a ser cobrado: Cruzadas, Inquisição, Comércio no Mediterrâneo. Uma beleza. Fez a prova com facilidade, sem nenhum constrangimento.
Ficou feliz com seu desempenho, sabia que tinha ido bem, não era um guri tão imbecil, tinha um pouquinho de conteúdo no seu vago ser. Chegou em casa, almoçou e foi deitar um pouco. Agradeceu antes:
- Papai do céu, valeu aí, mano. Graças a Deus, deu tudo certo.
O menino estudou como um condenado, mas o mérito é de deus. Sacanagem. É indignante. O menino devia chegar em casa e falar: "Meu, eu sou foda, destrui aquela prova, sou demais!" Mas não...O tempo que ele passou estudando não significa nada. Se deus não quisesse que ele fosse bem, ele não iria. A vontade de deus é fatal.
Se deus não quisesse que o pai dele e sua linda mãe o concebessem ele fatalmente não existiria, de nada adiantou o tesão que seus pais sentiam. Tesão é pecado.
O menino estudou a História, mas o que isso acrescentou a ele? O que ele queria era apenas uma nota. Quer saber, esse menino é um completo imbecil, há uma contradição com a informação acima, mas eu ratifico: menino imbecil.
A semana se passou e ele ficou sabendo de sua nota, havia ido muito bem como esperado, tirou nove e meio. A nota mais alta da sala foi a dele. A belíssima professora o elogiou. Havia ganhado o dia. Papai do céu estava sendo tão generoso com ele. Que beleza.
O fato é que não há o que dizer a mais. Ele está bem com essa realidade. O fatalismo é cômodo. Nada depende de você. Você por essa concepção é um merda. Um nada. Um imbecil que serve como peça de um jogo, onde é facilmente manipulável, onde um ser superior sabe o resultado. Perder ou ganhar não depende da sua lógica. O resultado é fatal. Simples e fácil.
TRUCO, SEIS, DESCE!!! "Poxa, descer não. Não quero ir para o inferno!"
(Jéssica.)