
Chega a ser algo tão contraditório, olhar como querem, como sonham, como desejam, como podem no começo. Por que essa mesma empolgação não continua com o decorrer do tempo? Será que o tempo tem como objetivo apenas a destruição? Ou será que não se sabe como aproveitá-lo? O que é tempo?
Crianças não têm noção de horas, brincam como se nada tivesse um fim, como se o dia não fosse terminar, como se a noite fosse apenas um momento em que o calor do sol para com a finalidade de tirar uma soneguinha. Criança só para quando o corpo pede, quando os olhos pesam, quando o cansaço bate.
A natureza cria e o tempo se encarrega de destruir, uma planta brota, vive com a função de deixar um filho para que o tempo não seja notado, para que esse filho continue o que ela estava a fazer: embelezar o mundo com suas flores. Até parece que planta sabe que suas flores embelezam o mundo...
O começo é instigante, excitante, orgástico. O fim é aliviante ou frustrante, mas o interessante nisso tudo é a capacidade de se perder o tesão no meio do caminho. Planos, metas, objetivos, tudo traçado minuciosamente, mas que conforme as dificuldades impostas pelo tempo vão perdendo o rumo, a lógica estabelecida. E quando se dá conta, a criança não existe mais, o tempo já a destruiu, o que resta é uma mente repleta de sonhos, implorando por mais tempo, sendo que tempo ela não disponibiliza para si, para fazer renascer a criança que há, a criança que é uma fênix.
Conceito abstrato, tempo. "Tempo, o senhor da razão". "Tudo tem seu tempo". "O tempo dirá quem estava correto". "Tempo é dinheiro". Einstein ficou um dia inteiro olhando para um relógio tentando descobrir o que era tempo, até que tinha visto que havia gasto tempo demais com a questão. E a humanidade pede tempo. E o técnico de vôlei pede tempo. E a menina que sonha com uma família pede tempo. E o filho que deseja passar um final de semana com o pai pede o tempo dele, tempo que ele não tem a oferecer ou que não sabe como oferecer. Tempo para conseguir o sucesso. Tempo que passa e com ele leva desejos, desejos muitas vezes não saciados. Vontades que o tempo não permitiu. Pessoas que o tempo envelheceu. Objetos que com o tempo se empoeiram, são deixados. E ainda há a dúvida...
O que é o tempo? Seria muito metafísico?
(Jéssica.)