Viver e tão simples. Seguir é mecânico. Nascer, crescer, reproduzir e morrer. Ciclo vital, uma seqüência de fatores alinhados por uma ditadura, em que permanessemos de olhos fechados, servindo apenas como peça de um jogo controverso. Intelectuais batem no peito e apontam para uma sociedade alienada, uma grande engrenagem que mesmo sem a mínina lubrificação é facilmente manipulável. Há quem culpar?
Nunca houve tanta informação, um grande paradoxo perante a uma população de seres racionais que não sabem dissernir e muito menos construir uma ideologia ou questionamentos para filtrar tamanha carga de fatos, "verdades", crenças. Mas será que regredimos? Não, claro que não. Muda-se o cenário, mas os personagens são os mesmos; muda-se o enredo, a forma de contar, a maneira de analisar, mas tudo sempre foi assim.
Na tenebrosa Idade Média, lembrada como "Idade das Trevas", uma poderosa instituição controlava todos os meios de conhecimento, controlava (não apenas manipulava) os pensamentos e costumes de toda uma era: a Igreja; entretanto não estamos muito distantes daquela realidade. Trocamos a igreja pela mídia, mas nesse caso podemos filtrar o que ler, o que ver, não temos um inquisidor em cada esquina, pelo menos não tão explícito como na "Idade das Trevas".
Indivíduos alienados, apenas seguidores do que dizem ser certo, meros espectros humanos que concordam com o que todos dizem, fazem o que todos fazem, engolem sem saber se é bom ou ruim. Quer resposta melhor, se seguem, logo devem ter em quem se embasar. Quem nos forma, auxilia, ensina o certo e o errado, tem a finalidade de estimular o conhecimentos e a individualidade de um ser? Família. Calamidade pública atual não é a violência, mas a entidade que deveria evitá-la: família. Ninguém, até o exato momento nasceu sabendo, o problema está enrraizado, uma hereditariedade que parece estar longe de ser modificada, genes da alienação que passam de geração em geração.
Filhos, seres feitos para dar continuidade ao que os seus pais deixaram para a humanidade, perpetuação da espécie. A base de qualquer ser está na sua família, ela é o seu espelho, seu exemplo. Ensinamos nossos filhos para sobreviver no mundo atual, não para mudá-lo. Mudar é imoral, anti-ético. Ser alienado é cômodo, muito mais simples. São raras as pessoas que buscam sua individualidade.
No dia em todos forem estimulados a pensar, não apenas concordar com o que é ensinado na escola, talvez nossa família mude, mudando conseqüentemente a nossa sociedade alienada, que por sinal nunca foi diferente disso.
(Jéssica.)