sábado, 13 de setembro de 2008

Desde quando? Até quando, alienados?

Viver e tão simples. Seguir é mecânico. Nascer, crescer, reproduzir e morrer. Ciclo vital, uma seqüência de fatores alinhados por uma ditadura, em que permanessemos de olhos fechados, servindo apenas como peça de um jogo controverso. Intelectuais batem no peito e apontam para uma sociedade alienada, uma grande engrenagem que mesmo sem a mínina lubrificação é facilmente manipulável. Há quem culpar?
Nunca houve tanta informação, um grande paradoxo perante a uma população de seres racionais que não sabem dissernir e muito menos construir uma ideologia ou questionamentos para filtrar tamanha carga de fatos, "verdades", crenças. Mas será que regredimos? Não, claro que não. Muda-se o cenário, mas os personagens são os mesmos; muda-se o enredo, a forma de contar, a maneira de analisar, mas tudo sempre foi assim.
Na tenebrosa Idade Média, lembrada como "Idade das Trevas", uma poderosa instituição controlava todos os meios de conhecimento, controlava (não apenas manipulava) os pensamentos e costumes de toda uma era: a Igreja; entretanto não estamos muito distantes daquela realidade. Trocamos a igreja pela mídia, mas nesse caso podemos filtrar o que ler, o que ver, não temos um inquisidor em cada esquina, pelo menos não tão explícito como na "Idade das Trevas".
Indivíduos alienados, apenas seguidores do que dizem ser certo, meros espectros humanos que concordam com o que todos dizem, fazem o que todos fazem, engolem sem saber se é bom ou ruim. Quer resposta melhor, se seguem, logo devem ter em quem se embasar. Quem nos forma, auxilia, ensina o certo e o errado, tem a finalidade de estimular o conhecimentos e a individualidade de um ser? Família. Calamidade pública atual não é a violência, mas a entidade que deveria evitá-la: família. Ninguém, até o exato momento nasceu sabendo, o problema está enrraizado, uma hereditariedade que parece estar longe de ser modificada, genes da alienação que passam de geração em geração.
Filhos, seres feitos para dar continuidade ao que os seus pais deixaram para a humanidade, perpetuação da espécie. A base de qualquer ser está na sua família, ela é o seu espelho, seu exemplo. Ensinamos nossos filhos para sobreviver no mundo atual, não para mudá-lo. Mudar é imoral, anti-ético. Ser alienado é cômodo, muito mais simples. São raras as pessoas que buscam sua individualidade.
No dia em todos forem estimulados a pensar, não apenas concordar com o que é ensinado na escola, talvez nossa família mude, mudando conseqüentemente a nossa sociedade alienada, que por sinal nunca foi diferente disso.
(Jéssica.)

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Que manhã!

Estava tão quente, um calor que chegava cansar. Amanheceu um dia claro, tudo seguindo a lógica normal daquele indivíduo. Indivíduo este que não detinha o poder de controlar seus pensamentos, mas alto lá! Quem detém?
Não era de falar muito, mas ouvir. Como ouvia. Analisava, observava, buscava suas conclusões. Ninguém compreendia o que ele buscava, logo ele, um menino fisicamente tão bonito. Aliás, era isso que mais o intrigava; não o conheciam, nem buscavam compartilhar ideias com sua pessoa, mas pelo simples fato de ser bonito, julgavam que ele não necessitava pensar. Para que pensar? Está tudo certo, não? Tudo absolutamente dentro da mais pura normalidade.
Aquele belo rapaz não se pronunciava com frequência, porque não havia quem soubesse dialogar. Entretanto adorava dividir suas lógicas, poder realmente conversar com alguém que tivesse algo para dizer, que sentisse o que saia de sua boca, que fosse capaz de ouvir. Ouvir.
Era exatamente isso, ouvir. Todos falam, gritam, julgam-se mais bem capacitados que seus alheios, disputam quem sofre mais. "Minha vida está tão difícil!" "Fala isso, mas não sabe o inferno em que vivo." "Ai, minha costas, meu serviço está me matando!" "Ah, para de reclamar, trabalho como uma condenada, acho que nem morfina é capaz de diminuir minha dor de cabeça, mas não reclamo!" Ninguém mais estava disposto a ouvir. Não ouviam, apenas buscavam uma resposta que calasse a boca de quem ousava dizer algo, dizer qualquer coisa, futilidades, reclamações, felicidades, tristezas, conquistas. Perderam a capacidade de ouvir, apenas ouvir.
Pobre indivíduo, nada sabia e sabia que de nada sabia. Isso o tornava diferente. Saber que quanto mais se sabe menos se compreende. Não tinha a audácia de ofender ninguém, não era dono da verdade. Olha só! A verdade! Quem diria, para aquele pobre indivíduo a verdade é individual, pelo menos assim ele acreditava e até aquele momento não havia ouvido nenhum argumento que tirasse a fundamentabilidade daquele pensamento. Existem inúmeras verdades, cada um possui a sua, aquele que se baseia numa verdade plagiada, simplesmente não há, trata-se apenas de um mero espectro. Mundo, mundo, ele sim é pobre. Podre de verdades. As pessoas não são mais capazes de questionar. São ricas em informações, mas vazias. Um amplo vácuo. Informações, dados, tudo é jogado sobre todos. O detentor do conhecimento é aquele que sabe filtrar as "suas" verdades, ninguém tem o direito de censurar seus pensamentos. Sabe, pode-se até não conseguir deter os pensamentos, mas que tentam e da grande maioria conseguem, isso é fato.
Indivíduo. Mais um anônimo. Alguém desconhecido. Apenas um medíocre, um alienado, um bobo, onde já se viu! Pensamentos idiotas! Para que isso serve? Vai trabalhar! Ganhar dinheiro, procurar uma mulher para se distrair! Ler? Para de perder seu tempo com filosofia. Já viu filósofo rico? Vai terminar seus estudos, engolir tudo o que dizem ser certo, baixar cabeça e seguir. Fazer uma faculdade, arrumar um bom emprego, casar, ter filhos que viveram nesse mundo tão bacana, chegar em casa e conversar com sua esposa sobre o desgraçado do vizinho que comprou um carro novo ou então assistir o Campeonato Paulista de futebol enquanto sua esposa fala sobre o cabelo novo da amiga dela. Oras...
Tudo está na mais perfeita normalidade naquela linda manhã quente.
(Jéssica.)